quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O que deixei, não me prende mais

Eu deixei de dizer palavras que tinham todo o sentido, pra deixar o silêncio responder nossas dúvidas. Eu não deixei lágrimas caírem, para que elas não viessem com som de dor. Eu deixei de abraçar os braços das pessoas que amei, para que quando elas me deixassem não sobressem o vazio dentro de meus braços. Eu deixei de morrer, para que as pessoas vivas pudessem enxergar as verdades que guardo. Eu deixei de sorrir, para que quando sorrisse saberia que o sorriso era de verdade. Eu deixei de amar, para quando eu amasse soubesse valorizar cada centímetro da pessoa amada. Eu deixei tanta coisa, e aprendi a viver sob tantas dúvidas. Hoje eu tenho palavras que fazem todo o sentido e quero dizê-las. Hoje o silêncio me assusta. Hoje eu deixo as lágrimas caírem, porque caem com som de alegria. Hoje abraço as pessoas que eu amo, sem medo que elas partam e deixem o vazio que tantas outras deixaram. Eu sei que hoje posso morrer, porque sei a verdade e não preciso que todos saibam dela, só as pessoas que merecem a verdade. Hoje eu posso sorrir, e meu sorriso pode sair com luz para que todos vejam através dele o quanto sou real. Não gosto de despedidas, mas elas são inevitáveis. Gosto do gosto amargo que elas tem e do gosto doce que a saudade deixa em mim.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ê vida

Pare de me assustar ao dizer que já partiu, pare de achar que o mundo não irá te trazer de volta. Pare de me assustar com suas conversas de menino assustado, já somos bem grandinhos pra viver brincando de faz de contas. Não temos mais tempo a perder, mostre-me seu sorriso e se renda aos meu abraços. Queira viver o tempo que ainda nos resta para sorrir e não nos preocupar com o mundo lá fora. Sabe que sempre fomos fortes, que chegamos até aqui e não caímos com qualquer coisa, sempre fomos firmes. Não seja bobo dessa vez, o mundo é grande demais...e um dia ele te trará de volta pra mim. Deixe de ser palhaço.
Olhe nos meus olhos, amor, diga pra mim que eu não sou mais a menininha por quem você se apaixonou, diga que eu sou mulher. Segue esse ritmo de "tum tum" do peito e se jogue nessa mesma dança. Sorria, seja meu pelo menos por uma semana. Não vou conseguir ser forte o tempo todo, sei que irei chorar. Mas diga que estará bem, que eu me viro por aqui... aliás sempre me virei, de uma maneira ou de outra. Sempre houve um sussurro teu em mim. Queria que a música fosse mais lenta, que o tempo parasse para ver nós dois abraçados em algum lugar no meio do nada. Queria que a dança fosse rápida, mas não combinaria com o embalo da música, mas não me importaria. Nunca me importei. Então aproveite o tempo que temos, e não me deixe estragar tudo.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Vou chegar no último vagão

Já me acostumei com a tua ausência. Acredito que você já se acostumou com o vazio, e também acredito que já nos acostumamos com o mundo. Eu sei, tudo ainda parece bem igual. Mas não tá. Tudo mudou, e ninguém parou pra olhar o sol morrer e ver que a noite já não tem tantas estrelas, que a lua aparece e ninguém tem tempo de apreciar o brilho dela. Os valores da humanidade se acabou, hoje já não se importam mais com o seu 'bom dia', mas sim pelo valor, de preferência em dinheiro, que ele trará. Por isso não se falam mais "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "obrigado", "por gentileza". E a gente? A gente se perdeu no meio da multidão também, não conseguimos andar de mãos dadas enquanto as pessoas cortavam as suas mãos por trabalho, dinheiro. Lutamos por algo que nem ao menos sentimos, mas lutamos. Lutamos pra vencer a guerra de um mundo onde o amor não se sustenta mais por si só. E morremos na batalha final. Nos testes finais, fracassamos. Agora creio que você tenta mostrar pra ela o mesmo que tentou mostrar pra mim, talvez faça ela escutar as mesmas músicas que você dizia que era nossa. Talvez você mostre o luar da sua janela também. Talvez isso sirva de consolo pro seu peito. Talvez você encontre razão pras suas loucuras. E eu? Eu já me acostumei com a tua ausência, já escuto aquelas músicas sem lamentar os fracassos, já não penso em você. E eu? Eu vivo agora... E você? Eu sei lá, está passeando por ai pra encontrar sentido na vida.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Você parecia tão meu...parecia

Você parecia tão meu. Parecia que "nós" eramos realmente nós. Parecia que seu sorriso era mais feliz ao meu lado, parecia que o pão era mais saboroso quando dividia comigo. Até o escuro parecia menos assustador com você. Palhaços eram engraçados. E tudo foi embora e só restou a dor, a saudade, as lágrimas e a nostalgia de dias felizes. Eu ainda não entendo bem, ainda acho que acordarei e vou ver você do meu lado. Ainda durmo na esperança de só acordar quando você me trouxer o café na cama. Ainda durmo na esperança de sonhar contigo e não acordar. A sua falta ainda me dói, mas eu sei que vai passar. Eu sei que ficarei bem melhor. Sei que não vou sentir mais nada. Mas ainda me resta esperança de você se arrepender, e voltar pra mim. De bater na minha porta e dizer que se enganou quando disse pra si mesmo que poderia viver sem mim. Que se enganou, que achou que não era amor. Que se enganou quando procurou  em outros braços o que já havia achado em mim, mas que não viu. Que se arrepende de ter me deixado ir. Que te dói quando a noite cai, e quando vê a lua. Que sente saudade do meu sorriso e das minhas loucuras. Que ainda sorri quando pensa em mim e que lembra dos momentos passados ao meu lado. Queria que lesse  o que escrevo, queria ver seu rosto ao me ver chorar. Queria tanta coisa de você, e acho que esperei tanta coisa de você e no fim fiquei com o nada, com o vazio, com a dor. Foi só isso que restou. E o amor? O amor evaporou, sumiu com as cinzas do seu cigarro, ou com a fumaça dele. O amor MORREU. E eu nem sei se eu fui culpada disso. Eu ainda quero tanta coisa sua.

Se lembra quando eu escrevia e sorria ao te mostrar minha poesia, feliz da vida por ter você pra ler. Pois é. Se lembra quando ficávamos planejando nosso futuro juntos e como seria morrer de saudade quando estivéssemos longe, pois é. Se lembra de quando nos mordíamos, sorríamos e morríamos de gargalhar, pois é. Se lembra de olha nos meus olhos e dizer que me amava. Pois é, eu me lembro. Lembro do céu estrelado ao nos encontrar. Lembro do seu olhar de menino velho me protegendo. Lembro-me dos seus braços cuidando de mim nos dias ruins. Pois é, eu me lembro de tudo. E você será que se lembra? Será que ainda sabe quem sou? Será que ainda lembra meu nome? Ou se pôs a esquecer e esqueceu?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

E já deu tudo o que tinha que dar. Já deu momentos felizes, já deu sorrisos verdadeiros, já deu momentos tristes, já deu lágrimas merecidas, já deu lágrimas escravizadas pela chuva. Já deu amigos, inimigos, amores, ilusões, dores e alegrias. Já deu tudo o que tinha que dar. Já me tiraram sonhos demais, já destruíram todos os conceitos que eu construí, já me engaram, já enganei, já fui roubada e já roubei. Já deu tudo o que tinha que dar. Quero momentos novos, mas não com os mesmos lugares. Quero lugares novos, mas não com os mesmos momentos. Quero tudo novo. Quero amigos novos, quero casa nova, quero cidade nova, faculdade nova, amores novos, erros novos. Quero tudo novo. Porque no velho já me levaram tudo o que tinha. No velho me levaram até o amor. No velho perdi tudo e ganhei tudo. No velho me perdi, no velho esqueci, no velho envelheci. Já deu tudo o que tinha que dar. Já me levaram sonhos demais.

sábado, 24 de novembro de 2012

Eu nunca...

Eu nunca recebi flores, mas nunca fiz questão de recebe-las. Nunca me fizeram serenatas, mas nunca fiz questão que fizessem. Nunca tive um dia lindo de piquenique no parque, mas nunca fiz questão de presenciar o sol morrer. Nunca andei na roda gigante com um par e ficamos parados observando o mar, mas nunca fiz questão de girar. Nunca fui ao zoológico jogar comida aos macacos, mas nunca fiz questão de tais macaquices. Nunca ganhei cestas de natais, mas nunca fiz questão de ganhá-las. Nunca tive tanta coisa, nunca me fizeram tanta coisa, mas nunca precisei de muito, nunca esperei muito. Nunca recebi muito amor, mas nunca tinha feito questão dele. Até aprender a sentir, até aprender a a dá-lo, mesmo sabendo que poderiam recusar, mesmo sabendo que poderiam jogá-lo pra despacho. Não me importava. Mas nunca fiz questão de recebe-lo de volta. Digo tudo o que preciso dizer, não tenho mais medo de mostrar. Mas mesmo assim fui feliz, mesmo assim sou feliz, mesmo assim serei feliz, pois eu tenho o amor em mim.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Todo o amor

Os dias tem passado meio diferentes sem você do meu lado. Não tristes, mas também não felizes igual costumava ser. Parece que sempre algo falta, e sempre algo me faz lembrar você. Achei até que seria mais difícil conviver com a tua ausência, mas você ainda vive aqui dentro de mim, e isso me deixa feliz. Não vou dizer que tem sido fácil sem você, não tem sido muito simples pra eu viver sem meu parceiro de risadas e de bobagens, não ouvir sua voz a cada dia me deixa mais saudade, não ver o telefone tocar ou receber uma mensagem de texto de manhã. E eu sonho contigo todos os dias, parece que você é mais um sonho, uma ilusão. Isso só faz eu te amar mais, e acho que te afastar mais. Não sei se você vai voltar, não sei se você vai ficar, eu só sei que eu te quero, que eu te anseio, que eu te desejo bem mais do que imaginaria desejar, que eu te amo bem mais do que imaginaria te amar.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O que os olhos veem?

Parecia mágico olhar pro céu e ver os desenho das nuvens, elas faziam a imaginação fluir. Eu tentava fazê-lá olhar pro céu, mas seus olhos estavam muito fixados ao chão, ela sabia que se olhasse pra mim choraria ou ao menos desabava, preferia olhar o movimento das formigas cortando o caminho pra desviar dos seus pés, do que olhar a magia da dança das nuvens. 

E foi um dia qualquer, passado de uma maneira qualquer: corações acelerados, hormônios aflorados, mas ela não sentia nada. Parecia estagnada, os outros sentiam tanto e ela não sentia nada. Sentamos a beira do mar pra poder observar a paisagem, haviam tantos casais felizes ao redor, pareciam esquecer o mundo cruel em que foram criados, e ela os observava, acho que sem entender, nem eu entendia. Olhamos as ondas vindo e molhando os nossos pés na areia úmida, ela só quieta. Parecia que havia algo incomodando ela, ou pelo menos lhe faltando. Sei que ela sabia disfarçar bem, seus sorrisos eram quase perfeitos, mas eu conhecia bem, sabia a verdade. Lhe faltava um pouco de paz. E enquanto acompanhávamos o sol morrer, deitamos na areia pra tentar observar as nuvens, ela não quis ficar por muito tempo observando, sentou-se com a cabeça nos joelhos. Perguntei se ela queria continuar vendo o céu do quintal da minha casa, a areia estava ficando quente demais pra mim. Andamos até lá, e como lá a beira mar, ela não quis deitar, ela não quis olhar o céu. Deite-me pra ver a dança das nuvens e acho que por um breve segundo vi o brilho das lágrimas dela.

Izabelle Tomazetti

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Passagem

Eu me lembrei tanto das pessoas, e fazia de tudo pra elas sorrirem que eu me esqueci de mim, esqueci de fazer as coisas que me faziam sorrir. Parei as coisas que mais amava, para agradar aqueles que eu achava que amava, que por fim partiram e não disseram um 'tenha um bom dia'. Deixei tantas coisas, fiz tanto. E por fim quem se machucou fui, quem morreu fui eu, quem se partiu foi eu. E não há mais nada que me prenda a uma toca, quero voar livre e em paz, mas existem correntes que não me deixam.

 Não queremos nossa bagagem cheia de mágoas e tão pouco queremos carregar um fardo pesado, mas a vida já é um fardo e uma bagagem de mágoas. Como não levá-la? Já sabemos que nossas malas estão cheios de males, que nossos sorrisos já não são tão verdeiros como a 20 anos atrás, sabemos bem do gosto amargo que o mundo trás e sabemos também o gosto ruim das pessoas. A vida já é cheia de amargos, a vida já é tão cheia de tudo que por fim acaba se tornando nada com a morte. E sabemos bem o sabor da morte. Morremos cada dia mais um pouco, cada dia que tentamos sobreviver nesse mundo é um dia a mais que morremos. Já somos a bagagem da vida pesada, já fizemos as malas agora só falta viajar. Entretanto, sair do mundo que estamos acomodados a viver não é fácil, não é fácil livrar-se das bagagens passadas. Não é fácil livrar-se do mundo. E sabe o que é o pior em saber pensar? É que sabemos que não somos crianças o suficiente pra poder ser verdadeiros. A vida não é só viver, a vida tem que sentir, saborear. E creio que muitos, assim como eu, esperaram ela passar alguma vez, esperando o dia nascer para que a dor morresse, mas nos esquecemos, pelo menos uma vez na vida, que a cada novo amanhecer e a cada crepúsculo quem morre somos nós. Morremos em amor, morremos em sofrimento, morremos em paz, morremos em saúde, morremos em humanidade, morremos em desastres, morremos em ataques, morremos em momentos serenos, morremos quando acordamos, morremos quando menos esperamos, morremos em nós e esquecemos de valorizar cada morte como ensinamento, apenas lembramos das dores que as mortes causam em nós. E elas só causam dor, porque esquecemos que morremos dentro de nós a cada dia que acordamos.

Izabelle Tomazetti

Canção de morte

Deixo aqui os meus pêsames de mim mesma para eu mesma. Deixo minhas lágrimas caídas em cima do meu caixão, deixo minhas dores pela minha partida. Deixo umas flores de funeral para eu mesma. Deixo meus pertences aos que merecem, e trarei minhas lembranças dos dias que fui feliz comigo. Não é por ser egoísta que deixo o meu corpo, é por pensar em todos. Deixo minhas memórias escondidas do mundo a tanto tempo que não sei se seria possível recuperá-las após minha morte. Então, recebam minha alma com gratidão ai em cima. Agradeço aos que merecem serem agradecidos, e agradeço a mim quando estiver parada igual uma estátua em um terno de madeira. Olharei por mim e me verei tão serena, parecendo que durmo, parecendo que uma hora acordarei, mas não. Deixo aqui os meus pêsames a vocês, e os meus pêsames a minha alma, a mim mesma. Deixo minhas cartas escritas, e não se acanhe em lê-las são fragmentos de mim cuspidos em palavras. E não se acanhem de chorar, não ficarei feliz, mas entenderei os motivos. Lembrem-se que isso que me pus a escrever me deixou feliz, um pouco fragmentada. Leiam essa canção com ritmo: que começa rápido, vai ficando lento e por fim para de tocar, igual ao meu coração.

Izabelle Tomazetti

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Meio sim, meio não


Eu não gosto de nada gelado: não gosto do chá gelado, do café gelado, da comida gelada. Também não gosto das coisas muito quentes: o tempo muito quente, o café muito quente, o chá muito quente, a comida muito quente. Não defini meu gosto ainda pelo morno, ás vezes gosto, outras vezes odeio. Ás vezes acho que não gosto de nada, outras vezes eu gosto de tudo. Muitas vezes engulo coisas que não gosto, e falo de coisas que não gosto. Sinto, ás vezes, coisas que não gosto, mas mesmo assim ainda não defini o meu gosto pelo morno, ás vezes gosto, tantas outras vezes odeio. Muitas vezes sinto tudo: morno, quente e gelado, o sólido, liquido e o gás. Ah, o gás... esse não falta em sentir, sente-se mesmo não percebendo que sente, sabe? Mas ainda não defini o meu gosto pelo morno, ás vezes gosto. E falando em gostar, lembrei-me dos gostos exóticos que tinha, algumas vezes sensatos, outras nem tanto. Lembrei-me também dos desgostos, esses tantos que sempre todos lembram. E sabe o amor? Esse ai consegue ter tudo isso dentro de uma palavra só, eu nem precisava ter escrito tudo isso, e perdido esse tempo nas palavras, se eu tivesse posto somente 'amor' , quem sabe o significado sentiria essas sensações. Amor, palavra pequena, significado grande, é meio parecido com a alma da gente: corpos limitados, alma infinita. Mas quer saber, eu ainda não defini o meu gosto pelo morno, ás vezes gosto, ás vezes odeio.

Izabelle Tomazetti

sábado, 10 de novembro de 2012

Por ser demais

Acho que tenho sido demais pras pessoas, tenho sido muito pras pessoas. Creio que seja uma ameaça pra todos que se arrisquem a me conhecer de verdade, sou demais pra todos. Por que é mais fácil complicar as coisas do que simplificar? Acho que é isso, eu simplifico tudo, simplifico demais, e ai sou demais pros outros. Sou simples demais, sou realista demais ou talvez sonhadora demais. O que há de errado em amar as pessoas? Creio que é esse o problema, amar. Amar rápido demais, amar fácil demais, amar demais. Acho que é por isso que todos fogem de mim. Creio que sou demais pra todos. Entrega demais, se abrir demais. Não era meu perfil oferecer ás pessoas o que eu sou, mas foi simples e o simples não deve ser complicado, e por fim todos complicam, acham difícil, mas não é. Amar é simples e puro. Amar deveria ser simples e puro, o problema é as pessoas que amam, ou são demais ou complicam tudo. E sempre complicam, pelo menos comigo. Creio que por ser demais pra todos. Eu só queria poder controlar esse negócio de ser demais, mas controlar é demais pra mim.

Izabelle Tomazetti

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Canção da saudade

Hoje a saudade veio mais forte, talvez por causa do tempo frio que me lembra seus abraços, ou talvez o dia cinza que me lembra seus carinhos. Talvez você nem pense mais em mim, talvez não se lembre dos dias cinzentos passados ao meu lado, mas eu já nem ligo. Creio que tudo é um fluxo de idas e vindas, e você veio e agora se foi. Mas não se magoe, querido, eu não estou magoada, eu estou com saudade de amar você. Não se magoe pois isso não me magoa, me deixa até feliz por saber que você pode estar melhor agora, o que pode me entristecer é se eu souber que não está bem. Sinto saudade, apenas isso. Não leve pelo lado ruim, isso é uma coisa boa, pois se me traz saudade é porque você me faz bem, me fez bem e lembrar de cada gesto seu, cada jeito, cada sorriso me impulsiona a caminhar ainda que não seja ao teu lado, me impulsiona a ir pra frente, mas sempre com a esperança de te encontrar, de te ter de volta no meu caminho. Não se magoe, querido, quando digo que a saudade apertou, lembre-se que isso é uma coisa boa, como a saudade era antes. É uma saudade sua, então fique feliz por eu sentir saudade.

Izabelle Tomazetti

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Carta de Esperança

Mas você sabe que pode voltar quando estiver melhor, quando a angústia acalmar e você se encontrar. Você sabe que meus braços ainda são sua casa, e que eu sempre deixarei aberta pra você. Não tenha pressa, encontre seu caminho, seus objetivos, encontre seu foco. E eu também vou encontrar o meu. Eu sei que vamos nos encontrar novamente, sei que vai me abraçar, sei que vai voltar pra casa, amor. Só não tenha pressa disso, eu estarei aqui, feliz por te esperar, feliz por ser você que estarei esperando. E se não me encontrar por aqui, liga pra mim, manda mensagem, sabe onde me encontrar, certo? Estarei sempre esperando por ti. Afinal, dizem que a esperança é sempre a última que morre, mas discordo, morrerei primeiro que a esperança. E não é só esperança de te ver voltar, é esperança de te ver feliz, esperança de que esteja em minha vida, esperança de que daqui uns anos possamos rir de tudo, mesmo que não formos mais amantes, podemos ser amigos? Amigos inseparáveis? Ficaria feliz de ser tua amiga, ficaria feliz só de poder ouvir sua voz, ficaria feliz só estando em sua vida. Mas não deixe o tempo mudar o que sente por mim, por favor. Lembra que eu estarei aqui esperando por você. E eu ainda te vejo em meu futuro. Mas não tenha pressa, encontre o caminho que queira seguir, encontre você, encontre seu foco. E eu? Eu estarei feliz por você sorrir. Estarei feliz quando me ligar dizendo que tá bem, ou só me chamar pra uma conversa virtual. Me deixe por dentro de tudo, me deixe por dentro de você se possível. Não tô pedindo que me ame, só peço que não me esqueça. E lembra que estarei aqui te esperando. Não se esqueça que eu te amo, e que estarei aqui. Não se afaste, não se apegue nessa carta babaca, quando for a hora certa, saberemos o que vai ser. E eu vou esperar sempre por você. E quando estiver preparado pra estar comigo, não exite em me procurar.

Izabelle Tomazetti

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

1º dia sem ele

Depois de uma noite mau dormida, eu achei que seria fácil levantar da cama, lavar o rosto e ver que tudo foi um pesadelo, mas não foi. O dia parece vazio, o quarto, o copo, o corpo, parece que nada mais faz sentido. Levantar da cama hoje foi uma das coisas mais difíceis a fazer. Tudo me fez lembrar dele, do rosto, do cheiro, dos medos, do sorriso, dos braços, das pernas, dos dreads, das piadas sem graça que me faziam rir pela cara de idiota que fazia. E parece que tudo não faz mais sentido, o cheiro da comida não me dá fome, o tempo passa lerdo demais, e o coração vai se quebrando a cada pensamento bom. Eu acho que eu ainda não acredito, não acredito que você está longe agora. E eu nem sei o que fiz, já nem sei o que eu vou fazer...minha cabeça dói. Meu corpo está frio de novo. E as lágrimas não param que cair.

Izabelle Tomazetti

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Caixa de pandora

Tinha me esquecido da sensação de me senti perdida e deslocada. Pareço que tenho tudo, mas sempre algo me falta. Talvez paz, uma canção ou simplesmente sua atenção. Creio que meus medos venham a tona, meus sentidos de diluam com o luar, ou talvez derretam com a luz solar. Meu mundo agora é uma caixinha de pandora. Meus sentimentos são acusados a flor da pele, meus cálculos não são calculados, minha gramática não se encaixa na língua, minha história já não é tão histórica. Minhas palavras saltam do papel, a tinta da caneta espirra na parede ainda com tinta fresca e branca. A luz fosca, o céu torto. O vento bate como brisa e a brisa bate como o vento. Esqueço de ser eu, esqueço o mundo, a confusão de tudo, esqueço as vozes, o tom, a melodia, esqueço a letra pra cantar. Mas não me esqueço de lembrar que um dia ainda enlouqueço só de me perder no teu olhar. Creio que meus medos venham a tona, e talvez me matem de vergonha. Esqueço de esquecer o que preciso, lembro de lembrar do improviso. Me ponho a sonhar. Mexo a mente em busca de algo que realmente me faça acordar, mas não vejo. Onde tudo parece claro, não enxergo. Onde todos andam sorrindo é o inferno. Desenhos no meu mural mostram a minha moral, fotos espalhadas no mesmo demonstram momentos eternos, mas perdidos no tempo. E você me vem assim tão calmo, tão terno e me tira o medo do inverno.

Emily Cohen

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Tudo o que vem na cabeça

Eu queria entender: eu paro, reparo, retalho, me acho, me perco, te olho, não choro, te quero, não saio de perto, acho mais que certo. Respiro, suspiro, arrepio, soluço, protejo, releio, revejo, relembro de Setembro, Outubro ou Novembro, não lembro. Me esqueço, me lembro, me perco, me acho, me vejo, me sinto, te sinto, te vejo, te quero, te beijo. Desvio, volto, dobro, redobro, me queixo, me queijo, me abrigo no umbigo, sentido não faço só acho que posso. Detenho, retenho, pretendo, relaxo, revogo, caio, levanto, reciclo, revivo, vejo foto, transmito um abrigo no ombro amigo, termino, começo, meço, remeço, arremesso, me lanço, te lambo, te abraço, te quero, te acho, te vivo, moro e te namoro.

Emily Cohen

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Que tal ser meu?

Eu sempre quis um aconchego pro meu corpo, um encosto pra minha cabeça, alguém que pudesse massagear os meus pés depois de um dia difícil. Eu encontrei alguém, encontrei alguém com quem eu quero passar meus dias e sem reclamar dos defeitos dele, eu me tornei o aconchego pro corpo dele, o encosto pra cabeça dele, me tornei a massageadora dos pés dele depois de um dia difícil pra ele. Creio que já não são meus desejos que falam mais alto, são os nossos. Nos adaptamos a nós. Eu sei que não vai ser fácil, não é pra ser fácil. Sei que vamos passar por apuros, apertos, dores, alegrias, e sei que vamos passar por tudo juntos.
Eu quero pouco, mas quero pouco o tempo todo. Quero você, mas quero o tempo todo. Eu penso, eu lembro de você em cada segundo do meu dia. Não sei quanto você vai suporta, se vai suportar meus ataques, minhas manias, mas eu sei que as suas eu vou conseguir suportar. Seus defeitos, suas manias, seus jeitos, eu sei que vou me acostumar. E já me acostumei, não é? Já não dá pra querer outro, tem que ser você, com o seu sorriso torto, com as suas piadas bobas, com o seu jeito de me chamar de pequena, com a sua voz grossa de sono, com o seu jeito bobo de me fazer rir, com o seu jeito de cuidar de mim, com o seu carinho, com a sua pele, com os seus olhos, tem que ser tudo seu e tem que ser todo meu.

Emily Cohen

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Amor, se dê por vencido

E jamais alguma saudade foi tão forte quanto essa que eu sinto de você, da sua presença, do seus beijos, do seu carinho, do seu jeito de sorrir, do seu jeito de me fazer rir. Sua lembrança me tira o sono a cada cena relembra e passada na minha cabeça. Eu já não sei quantas horas eu penso em você, se é 24h ou 36h ou 48h. Já não dá pra distinguir, porque você está em tudo o que eu vejo, o que penso e o que eu planejo. Você está em tudo, e é exatamente assim que eu quero que fique. Não sei se pra sempre, porque o 'sempre' sempre acaba, quero pelo menos pelo resto da vida, ou até depois disso. E o barulho do relógio me incomoda quando você não está por perto. As horas passando tão lentamente, que parece que vai parando devagarzinho, sabe? Mas quando eu te tenho por perto, aqui do lado, sentindo presença, o barulho do relógio não me incomoda, a hora voa, mas eu nem percebo, porque a única coisa que eu consigo sentir é você. Eu nunca tive tanto medo, parece um medo bobo, mas pra mim é assustador. Nunca tive tanto medo de perder alguém. Na verdade, nunca fui a menininha boba que chorava por qualquer coisa. E agora olha pra mim, tô aqui, escrevendo pra você, lembrando do seu sorriso e segurando minhas lágrimas, que eu nem mesmo sei distinguir porque querem cair, se é por alegria de te ter em minha vida, ou por tristeza de não poder dormir e acordar ao seu lado. Mas quer saber, eu gosto tanto disso, que passaria a vida inteira tendo essas sensações desde que fosse você que estivesse do meu lado, eu não me importaria.


"Eu preciso de você aqui do meu lado, você é tudo o que eu não sou. Nós somos indestrutíveis, intocáveis. Nada pode nos derrubar essa noite. (...) E nós vamos conseguir sair vivos, eu prometo que esse amor nunca vai morrer. Não importa o que, eu te protejo, levaria um tiro por você se fosse preciso. Juro por Deus que no final de tudo, nós seremos os únicos a ficar em pé. Então, acredite em mim quando eu digo você é o único. Eles nunca vão nos perdoar pelas coisas que fizemos. E nós vamos conseguir sair vivos, eu prometo que esse amor nunca vai morrer. Não importa o que, eu te protejo, levaria um tiro por você se fosse preciso. Juro por Deus que no final de tudo, nós seremos os únicos a ficar em pé. Nós nunca vamos cair, nós nunca vamos sumir. Eu prometo a você pra sempre. E a minha alma hoje não importa o que, até o final de tudo que nós vamos ser os últimos em pé. E todos disseram que nós não duraríamos. Se eles nos vissem agora aposto que retirariam o que disseram. Não importa o que façamos ou dissermos porque nada importa de qualquer maneira. Não importa o que, eu te protejo, levaria um tiro por você se fosse preciso. Juro por Deus que no final de tudo, nós seremos os únicos a ficar em pé."  ♪       
No metter what  - Papa Roach

Emily Cohen







domingo, 29 de julho de 2012

E depois do sexo?

Olhares quentes, beijos e abraços. A blusa dela desliza em um ombro, e ele num puxão rasga inteira. Com delicadeza ela tira a camiseta dele, e começam a se beijar. Ele desliza o rosto até o pescoço, roça o seu corpo no dela, passa a mão em tudo o que tem direito, e desce os seus beijo e caricias, desce até o decote enquanto desesperadamente tenta abrir o zíper da calça jeans meia escura e rasgada dela. Ele a pega com fervor agora e a encosta na parede. E agora ela sabe exatamente onde vai dar. Ela deixa, se entrega, ele continua na força da emoção, no calor da sensação e no pulsar do coração. 

Ela já nua e ele tirando a cueca. Os dedos dela passando dos cabelos pras arranhadas fortes da nuca até o fim das costas. Os dois nus agora começam a festa: é o vai e vem, o jeito malicioso de sentir a outra pessoa, o jeito diferente de consumir a vontade do corpo a corpo.
E depois que começa, a próxima etapa é o prazer.
O prazer dele: ouvir aqueles pequenos gemidos de prazer sussurrados no ouvido dele, os arranhões de tesão nas costas, senti-lá. Isso o deixava louco.
O prazer dela: Senti-lo dentro dela, gemendo baixinho, com beijo de tesão, os puxões de cabelo forte a cada movimento.
Em fim, o tão esperado gozo. As pernas moles, o corpo cansado e suado, o sorriso bobo, o sono depois.

Emily Cohen

terça-feira, 10 de julho de 2012

Nosso pequeno castelo

E sabe a nossa música, então essa mesmo que você está cantando todo alegre com esse sorriso bobo lindo estampado no rosto, ela está tocando agora. E enquanto a música rola, nossos braços se enrolam, se aconchegam em nós. E eu esqueci completamente de ver o tempo passar, de ver a banda tocar, de ouvir a música rolar, só conseguia ver o brilho dos seus olhos verdes, ás vezes azuis dependendo da luz que batia neles, mas lindos como o céu ou com o mar. E parece que a vida inteira é pouco tempo pra passar do seu lado, todo o tempo do mundo é pouco. E nossa história está só começando e eu já estou te amando, te amando de uma forma única, minha, boba, besta, de uma forma toda tonta, mas muito especial. Textos e rimas não explicam tudo o que se passa dentro do meu ser, estatísticas, marcas, formas, nada explica o que passa aqui dentro. E eu só tento mostrar a ti tudo o que me dá felicidade, que é estar ao seu lado e te ver sorrir, te ver sonhar e planejar todo o nosso futuro juntos. E toda nota, todo o tom, toda a música, toda clave, todo acorde, tudo me faz pensar em te amar, te querer, me faz pensar em você. Já não cabe em meu ser tanto amor, tanto sentimento, tanta felicidade, por esse motivo divido ela com você. E assim será no nosso livro, na nossa história, que é faz de conta ou é faz acontecer. Então, acontecerá.


Emily Cohen

terça-feira, 3 de julho de 2012

A confusão que acalma a alma

A calma na alma, na fala, no gesto, no corpo. O tesão pela voz, pelo toque, pelo beijo. A paz que traz, a alegria que vive, os sorrisos soltos ao vento. A dor de deixar partir, o aperto no peito da saudade, a ansiedade de ver, devorar. Deixar levar, deixar acontecer, morrer e viver nos braços de quem se ama. Entender o sentido de amor, saber a falta que faz, aprender a respeitar diferenças, erros, acertos. Aceitar do jeito que é, não mudar nem um cílio. Dói pensar que eu durmo todas as noites longe de você, mas me alegra saber que amanhã eu vou poder ouvir sua voz. Dói ver você virar as costas e ir embora, mas me alegro ao saber que vou ver você chegar de novo. Me alegro com a possibilidade de construir uma vida inteira ao seu lado. Um lar, uma família, uma história. Conto de fadas? Final feliz? Não sei, não me importa. Até espero que não seja final feliz, até porque não quero que tenha final. Já fui melhor em palavras escapadas na caneta e no papel. Hoje a alegria consome quase tudo o que tenho de criativo. Não deve fazer sentido tudo o que escreve, porque não tem sentido o que sinto. Deve parecer tudo estranho o que escrevo, porque escrevo tudo o que sinto e o que sinto é completamente indecifrado. Sem mais palavras e muito mais amor. O dia deserto, o mundo incerto sem você por perto.

Emily Cohen

domingo, 1 de julho de 2012

E amanhã de manhã?

As músicas tristes não fazem mais sentido, as horas vazias são composta de sorrisos, o tempo perdido já não se perde mais, as palavras não se calam e o silencio não se silencia mais, o eco ao fundo como flauta, os olhos não choram mais, e a dor é apenas pela saudade. A esperança que se aumenta por estarmos juntos, os planos do futuro, tudo isso faz sentido com você. E a hora mais triste do dia é a hora  que você vai embora, mas me alegra sabe que no outro dia você estará comigo. Amanhã de manhã eu sei que vou te ligar e poder dizer 'Amor meu' , sei que responderá com um sorriso, sei que me fará feliz, até mais do que hoje. Felicidade hoje que se concebe um sorriso verdadeiro ao ouvir sua voz.

Emily Cohen

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Entenda por meios

E se a verdade fosse mentira, a mentira fosse verdade, o dia fosse noite e a noite fosse dia, você ainda estaria aqui perto de mim? Creio que sim, imagino eu que isso seja loucura demais para se pensar nas razões, mas é louco, é amor, não é? Creio que nesse vai e vem de perguntas você já se perguntou como é que coisa tão simples se tornara algo tão grandioso, magnífico, aconchegante aos olhos de quem vê e eterno aos olhos de nós dois. Creio que nesse jogo nunca houve regras, ou soluções cabíveis de orgulho, creio que nesse jogo os jogadores impõem a si próprios as sua regras até aprenderem a jogar direito. Minhas regras, que impus a mim mesma para o jogo, foram arrancadas e tacadas ao vento com um simples olhar seu. Sem que eu pudesse me defender você acertou em cheio meus muros deixou-os irem a ruínas, aqueceu minha alma e descongelou meu coração, fez ele bater, acelerar e, finalmente, amar. Creio que já sigo tão a frente que o futuro cega os olhos, ofusca a mente. Mas não me prendo ao futuro, quero só sentir a brisa do vento bater no rosto, o arrepio da espinha subir e o calor do seu corpo perto de mim.

Emily Cohen

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Imagine só

Com todo os detalhes observados, imagine só: as brigas acabadas nas cama, as gritarias silenciadas com um beijo, as agressões transformadas em abraços apertados, os choros parados com risadas. Imagine só, as noites frias esquentadas pelo calor dos corpos, os desejos saciados com vontade, as lembranças transformadas em sorrisos. A saudade acolhida nos reencontros de todos os dias. As noites mau dormidas pelo choro do nossos filhos. A casa toda bagunçada, o cansaço do trabalho, mas sempre com tempo de ficarmos agarradinhos na sala. Imagine só as contas vencidas do fim dos meses, nós descabelados arrumando uma forma de economizar. Imagine só a alegria que seria nosso lar. Imagine só: nós, nosso lar, nossa família.

Emily Cohen

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nosso futuro

E é sem querer, eu paro e logo penso em você. Já teve vezes que me peguei imaginando como seria nossa casa, nossos filhos, nosso lar. Já me peguei imaginando nós dois velhinhos, cheios de tatuagens escutando um punk rock na varanda e vendo a família reunida, nossos dois filhos já com suas próprias vidas, nossa casa pequena e toda aconchegante pra nós. Eu sentada numa cadeira de balanço com uma das nossas netas no colo e contando de quando eu me apaixonei por você, e você e nosso filho jogando bilhar do outro lado da nossa varanda. Nosso lar seria tão perfeito. E é sem querer que eu imagino e planejo toda uma vida para nós dois. Já imaginei os detalhes do nosso casamento, de como seria o quarto do nosso primeiro filho, como seria a decoração do nosso quarto, como seria nossa sala, nossa cozinha, nossa rotina diária. E tudo parece ser tão perfeito, e eu fico aqui, sorrindo sozinha, lembrando de você.

Emily Cohen

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Hoje sou


O tempo já não faz nenhum sentido: quando penso que passou, ele ainda está lá, e quando penso que ele está lá, ele já passou. Você bagunçou meus horários, mexeu com meus fuso-horários, tirou minhas noites de sono, e não foi por ser ruim, mas por me fazer feliz. Já não sei se voo alto e toco o céu, ou se voou baixo e toco o mar. Já não tenho mais tempo de pensar, e essa felicidade já não me cabe tanto. Assusta um tanto. Os olhos já não se ofuscam com a dor, não se escondem atrás de um refletor. Hoje transpareço e padeço em alegria, e me dissipo em harmonia. Já não me encontro em estado lúcido, hoje sou só devaneios, sou só emoções, sou só o vento leve no rosto. Sou sorriso, abraço, carinho. Sou eu e você.

Emily Cohen

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Não tive medo de voar



Uma certa vez, me disseram que eu era sonhadora demais, que vivia nas nuvens e que uma hora eu iria cair. Mas eu não tinha medo de voar, não tinha medo de ser feliz, até cair. E quando cai, tive medo de voltar a voar. E me tornei realista demais, via defeitos em tudo, queria achar explicação pra tudo. Até encontrar o que faltava, até aprender a voltar a voar, a sonhar, a sentir. Mas dessa vez eu não tive medo de cair de novo, eu voei e se eu cair de novo, a vida segue e a gente aprende a voar de novo. Se asas se partem, elas podem ser concertadas e podem voltar a funcionar, podem te levar de novo ás nuvens. Não vou desistir de tentar, eu vou aprender a voar de novo.

Emily Cohen

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Esgotamentos


O gosto amargo ainda está em mim. O medo ainda arde na garganta junto com a fumaça e a esperança se queima junto com o cigarro. As cinzas são as alegrias, não sabia o gosto amargo do fim. E como um cigarro sem intenções de ficar acesso por muito tempo, foi o nosso romance. O nosso caso, ou descaso... E então se apagou, virou bituca, ficou pequeno demais pra se manter acesso. O vento levou as cinzas de alegrias, a terra decompôs o nosso romance e a chama finalmente se foi. Mas o gosto ficou. O gosto singelo e o ardor e a dor ficaram. E demoraram pra passar. E, então outro cigarro foi acesso e como um ciclo, um vicio se criou. Não havia modo de parar, era relaxante mas passava rápido. Não havia intenções de ser pra sempre, não havia pretensões de ficar. E o masso acabou. E você não voltou.

Emily Cohen

domingo, 13 de maio de 2012

Esquecido

E eu estive lembrando, enquanto você me esquecia. Eu sobrevivia, até o dia que não quis mais estar sozinha, lutei, e morri por mim, e agora vivo. Vivo com força, com ardor, vivo por mim. E eu estive lembrando do mesmo modo que você me esqueceu, hoje sou eu que te esqueço, sou eu que não me lembro mais do seu rosto, sou eu que não me lembro do seu jeito. E deste mesmo modo que você me esqueceu, eu te esqueci. Eu aprendi a esquecer. Eu aprendi sozinha á viver e á morrer. Não me desfaço de lembranças boas, me desfaço das ruins, das dores e dos odores. Me desfaço do amor e da dor que um dia senti por ti. Esqueço, e assim me engrandeço de novas fontes de alegrias. O seu sorriso não é mais tão quente como costumar ser quando eu te amei, quando eu me lembrei. E por mais incrível que pareça, hoje fecho os olhos e não me lembro da dor, não me lembro de você, não me lembro de chorar, hoje quando fecho os olhos a única coisa que me vem é paz.

Emily Cohen

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O vento frio


E o vento frio bateu, e ardeu entre os dentes, ardeu no meio das articulações, ardeu no coração. Eu estava acostumada com o frio anterior, mas esse frio que veio com o vento doeu. Doeu fundo, ardeu. Eu tinha me acostumado com o meu frio, mas aí você apareceu e me mostrou o seu frio, e me congelou. Esfriou bem mais do que já havia esfriado. E junto com aquele vento gelado veio o medo, que eu já não sentia tanto, mas voltou, veio também a angústia e a saudade, que eu já não lembrava como era. Veio a vontade do seu abraço e do seu carinho. Veio a vontade do coração disparado e o frio na barriga. E a tortura do vento vem doída sem seu calor, vem doída sem a sua presença. E está martelando no coração.

Emily Cohen

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Assim como ontem

Agora, eu queria entender o que se passa dentro do meu ser. Meus pensamentos, meus medos, meus desejos e meus anseios. Então, eu quis saber o que acontecia aqui dentro, o por que de tantos pensamentos, o por que dos medos, e dos desejos. Eu não sabia exatamente o que queria. Queria você, queria a mim, queria a nós, queria um eu. Só queria estar junto e ao mesmo tempo longe. Queria estar junto e ao mesmo tempo separado. Era estranho, divertido, gostoso e maldoso. Queria você o tempo todo e não conseguia desvendar. Queria nós, mas não conseguia mentir a mim mesma. Até que saiu, saiu pelos olhos, saiu pelo tato, saiu pelo olfato, saiu por mim e saiu por você.
Eu sei que amanhã você nem se lembrará de mim, nem lembrará o que falou ou o que houve entre nós. Mas só eu sei o quanto eu me senti viva novamente. O que há muito tempo eu não sentia, era alegria, calor, muito medo, mas muita felicidade, passageira, mas mesmo assim felicidade.
Só me diz se amanhã não será tudo igual, se amanhã não vai voltar à sua rotina normal, ai seu desespero casual. Diz se amanhã você pensará em mim, assim como disse que pensava em mim. Assim como me iludiu. Será que foi ilusão? Ou será que foi só um sonho? Amanhã a hora que eu acordar tudo ficará como estava antes: tristeza, frieza, monotonia e desespero.

Emily Cohen

sábado, 21 de abril de 2012

O frio passa

Fazia frio e meu cobertor não me esquentava o suficiente, então liguei pra você, para pelo menos tentar ouvir sua voz...

Telefone chama, e logo ouço:

-Alô?!
-Oi! Sou eu...(breve silêncio)
-Sinto sua falta, você sumiu.
-Pois é, tive que sumir, mas você não se importou.
-(Silêncio)
-Não liguei pra falar do passado, e sim do presente, do meu presente!
-Diga!
- Não tô podendo com isso, tá doendo demais.
- O que tá doendo?
-Sua ausência, seu abraço, teu calor. Meu cobertor não me esquenta mais.
(Longo Silêncio, depois de um bom tempo sem falar, só ouvindo sua respiração, ele diz.)
-E o coração, como tá?
-Tá batendo, tá normal, mas dói ás vezes.
-O que sente?

-Sinto uma dor muito forte, umas pontadas que me fazem cair no chão, umas dores que me tiram lágrimas.
-Já foi no médico?
-Não preciso, essa dor não é física. Essa dor é a da ausência, e da minha falsidade. Das minhas máscaras desgastas pelo uso excessivo, principalmente das felizes, essas são as mais usadas, porque elas cobrem a minha dor. Mas nos olhos, não dá pra fingir, não dá pra fingir por dentro, não tem como inverter, sabe? É difícil... não se importar, você sabe bem, nunca se importa.
-(silêncio)
-Mas não precisa dizer nada, o que aconteceu é passado, eu vim falar só do presente, do meu presente. E meu presente dói, meu presente é falso, e machuca. Mas eu tenho que ser forte, fingir que não dói o coração, aliás fingir que não tenho um, porque assim parece mais fácil. Se você se leva pelos sentimentos, você morre. Morre por você mesmo. É mais fácil fingir então. Fingir estar bem...
-Mas meu coberto pode te aquecer. De novo.
-Não! Cansei de mostrar o que tem atrás das minhas mascaras. Porque as ultimas vezes, eu morri e continuei sobrevivendo. Só que dessa vez, eu morro, mas revivo. Vai passar, o frio é passageiro.

Telefone mudo.

Emily Cohen

sábado, 14 de abril de 2012

Fim de noite

Mais uma vez, eu cá com meus pensamentos, lamentando por mais uma noite perdida a te esperar. Eu esperei até o ultimo segundo o telefone tocar, imaginando se você estava pensando em mim. Se me queria também, queria entender esses momentos de quase lucidez que tenho, mas com você atormentando a mente, eu não enxergo. Eu sentei, vi a lua, vi as estrelas, olhei o céu, o imenso céu, mas sem sinal da tua presença. Esperei até o ultimo suspiro antes de adormecer, esperei escutar sua voz rouca de preocupação ao me ouvir, ou por sentir minha falta. Esperei você se importar. Mas não adiantou esperar, do que adiantaria esperar algo que nunca foi seu? Que nunca vai ser? Mesmo assim, pensei, lamentei, e mais uma vez voltei para casa com a decepção me seguindo. Havia algo de muito diferente em meu olhar, e ninguém percebeu. Havia algo diferente no meu jeito de expressar, e continuaram a não perceber. Desisti de esperar, na verdade, não desisti apenas adormeci na esperança de acordar com um telefonema ou uma mensagem sua. E você não ligou, não mandou mensagem, não deu sinal algum de que se importava ou pelo menos fingia.
E quando me dei conta já não existia mais o eu, era só uma esperança mau interpretada, uma saudade inacabada e uma vontade inabalável.

Emily Cohen

terça-feira, 10 de abril de 2012

Olhos de Ressaca

E com aqueles olhos de ressaca, ela conseguira me levar do céu ao inferno em menos de segundos. Hipnotizava meus sentidos, me deixava sem reação. Ao encontrar seus olhos nos meus, era quase que automático, não havia escapatória depois que olhava aqueles incríveis olhos cor de mel dela. E era quase sempre que isso acontecia, não tinha como fugir daqueles olhos amedrontados e cheios de curiosidade, grandes e perplexos. Havia algo neles que me tirava o sono, algo que me fizesse esquecer do mundo, algo me fizesse querer desvendá-los. Eles eram como uma grande luz, algo absurdamente lindos. E aqueles olhos de ressaca não saia da minha mente. Havia algo absurdamente vivaz nele e havia algo em mim que o atraía, pois era sempre que nos encontrávamos, mesma reação sempre: perca de sentidos (primeiro o tato,pernas moles,  segundo a fala, não conseguia pronunciar um 'a' se quer, terceiro a respiração, já não sabia mais como respirar, quarto a audição, não ouvia as coisas com clareza e por ultimo o olfato que só conseguira sentir apenas um cheiro, o cheiro dela), morria lentamente dentro dos olhos dela, e cada piscada era como se meu mundo escurecesse, era como se não houvesse nada e quando retornava a abri-los era como se uma força extremamente forte e alegre tomasse conta do meu ser. Não creio que ela se vá dar o luxo de me amar. Só relato aqui, aquilo que muitos homens assim como eu sentem, mas que não conseguem expressar. Relato aqui o que os efeitos dos olhos dela causam em mim, o que eles fazem ao meu ser, a minha existência. Relato aqui o que aqueles grandes olhos de ressaca tomam em mim, tomam tudo, tomam até minha alma, até o pedaço mais profundo do meu ser. Aqueles olhos grandes de ressaca, tornam-se meus, únicos e perfeitamente meus.

Emily Cohen

quarta-feira, 21 de março de 2012

Algemas de nós mesmos

E de uma forma estranha as coisa realmente se põe em seus devidos lugares. Amigos se tornam desconhecidos, chegados se tornam inimigos, inimigos se tornam chegados, desconhecidos se tornam amigos. E a gente, simplesmente, passa por isso e não percebe o quanto deixamos pra trás. Não percebemos o rumo no decorrer do caminho e nos damos conta que as nossas vidas passam. Não percebemos que as escolhas que fazemos mudam o nosso futuro, mas não o nosso destino. Corremos contra tudo o que achamos errado, lutamos pelos nossos ideias e quando olhamos nossa estrada percorrida é como se um furacão houvesse passado por lá, e deixado erros para pensarmos, alegrias para lembrarmos e saudade para chorarmos. E quando olhamos bem lá distante, bem perto do fim da nossa jornada, vemos uma escuridão: medo, ansiedade, anseio, força, dor, alegria, tristeza, felicidade, amor, ódio... é uma mistura tão pura que se torna escura. Escura ao nosso ver, mas nós apenas caminhamos, fazendo nosso futuro e nos esquecendo do passado e nos prendendo cada vez mais ao nosso a caso.

Emily Cohen

sexta-feira, 16 de março de 2012

Aprendi hoje

E tudo parecia estar onde deveria estar, você lá e eu cá. Mas por alguma razão nós nos deparávamos um com o outro e a vontade de ter-nos surgia, como mágica. Como se fosse nosso o mundo e apenas nós pudéssemos fazer dele o melhor de nós. Estimei, planejei, me importei com aquelas que coisas que na verdade não se faziam importar. Dei-me mais valor do que emoção, dei -me mais razão do que confusão.. tornei-me mais seca do que a prisão. Quis ser tua, tu quis ser meu, mas por fim o destino não nos deu. Tive a impressão de que não éramos pra ser "nós" e sim "você" e "eu" , assim como tu, me fiz sozinha... e assim como tu, aprendi sozinha, tive medos, tive dores, que assim como tu, passei só. Caminhei sobre tuas pegadas marcadas pelo mar durante semanas, mas não quis prosseguir, coloquei-me em novos rastros, novas praias, novos começos, mas sem uma única decepção. Fui forte e valente, fui eu e fui você por muito tempo, e nós não enxergávamos isso, apenas continuávamos sofrendo por nós dois. Tu sabias que era meu, mesmo sem não ser, mesmo sem perceber e durante meu tempo viva, sabia que era tua, mesmo sem não ser. Durei para entender esse sentido de sentimentalismos, emoções e convenções, tudo isso são sincronizações que a vida nos proporciona sem que percebamos que tudo não passava de meras lições de vidas. Que apenas deveríamos deixar de lado o "você" e "eu" , esquecer o "nós" e se "apenas eu" e "somente você". Aprendi hoje. Porque nós sempre seríamos nós.

Emily Cohen

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Enquanto a chuva cai

Enquanto a chuva cai, minhas lágrimas são levadas junto com a enxurrada, meus pés me detêm de correr atrás de você que, agora, se vira e começa a caminhar até o seu carro. Olho ao redor e a única coisa que eu vejo é dor, é mágoa. Mas ainda sim carrego em mim um amor maior que tudo. Hoje, com a chuva deixei escorrer minhas lágrimas e elas correram junto com a água da chuva, passou por todo o meu ser e agora são atiradas na rua. Você se vira, como se ainda estivesse vivo, mas volta a caminhar em sua longa trajetória sem mim. E a única coisa que eu consigo fazer é esperar, esperar a chuva passar e voltar a seguir minhas curvas. Meu caminho. E neste exato momento, desejaria que você não existisse pra mim. Desejaria que fosse apenas mais um. Mas não é. Não peço desculpas pelos meus erros, não vou correr atrás, mas sabes que amanhã serei forte e passarei pela chuva sem derramar lágrimas. Sabes que amanhã, posso não ter te esquecido, mas a dor de não te ter será estagnada, quase extinta. E você, eu não sei. E eu, caminharei ainda sofrendo até poder ser plena de mim, e poder viver minha vida em sanidade e depois morrer em saudade.

Emily Cohen

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Foi quando você se foi

Você não imagina o medo que eu tinha de te perder, de não ser forte quando não estivesse mais aqui, de que eu desabasse quando você fosse embora. E foi quando eu perdi o medo de te perder, porque já havia te perdido, quando eu não fui forte quando não estava mais aqui, quando eu desabei depois que foi embora, foi ai que eu percebi que meu medo passou, minha fortaleza se reconstruiu mais forte do que antes, e quando eu desabei depois eu levantei. E hoje já não me importo em não ser mais sua. Hoje não sinto medo, hoje tenho força e não desabo. Foi quando você se foi que eu percebi quem eu era, quem eu fui e quem eu queria ser. Foi quando você se foi que eu me encontrei. Foi quando você se foi que eu realmente comecei a viver. E foi nesse meio termo que você se perdeu. Que você teve medo, e eu não pude te salvar, do mesmo modo que você me salvou. Entenda, foi eu te perdendo que eu me encontrei. Então, por favor, não volte. Por favor não me apavore com seus amores falsos, por favor não me aborreça mais com as suas desculpas infamas. Não é digno do sentimento que eu ainda sinto por você, então não volte, não me faça lembrar o que eu demorei tanto tempo pra tentar esquecer e que mesmo assim continua vivo dentro de mim. Me poupe de mais saudade e mais dor, apesar que já não faz tanta diferença, já me acostumei com isso. Me poupe da saudade, da dor, me poupe de você e do seu amor.


Emily Cohen

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Engraçado seria

Imagina que engraçado seria eu poder dormir e acordar escutando sua voz. Você dizendo: -Bom dia, querida. Você fazendo o café da manhã, e se arrumando pra trabalhar e eu arrumando as crianças pra  ir pra escola, me arrumando pra ir trabalhar. Você vem e dá um beijo de tchau, um beijo na testa dos nossos 2 filhos. Isso seria perfeito, não? Mas é só imaginação. Isso seria loucura para você. Mas esse é meu sonho. Permanecer ao seu lado a cada amanhecer e a cada anoitecer.

Emily Cohen

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ôh, menino. Vem cá, sentir carinho. Sentir teu corpo no meu, sua mão fria alisando meu corpo quente. Chega mais, meu homem. Vem tirar essa tensão, vem acalmar o meu tesão, vem matar essa minha vontade louca pelo teu corpo. Você tá quente, eu to fria. Vem ser meu, vem queimar nossa paixão. Liga teu corpo no meu, tira minha roupa, vem intenso e prazeroso. Vem acalmar meus ânimos e hormônios. Vem matar tua vontade, saciar nossa saudade. Vem querer ser meu. A cama é pequena, mas tem a mesa, a parede, o sofá, o chão. Tem lugar demais pra fazer amor. Então o que tá esperando? Vem, menino. Vem cuidar dessa paixão.

Emily Cohen

Entre o Céu e o Inferno.

Ás vezes, eu queria sentir a dor da morte. Saber o sabor do que não foi descoberto. Saber como é o outro lado. Descobrir se existe o céu ou o inferno. Se existe anjos e demônios, se há algo maior. Queria sentir o sabor da morte, queria sentir o que é morrer, mas eu sem poder morrer.

Tarde demais, seu desejo é uma ordem.

Então, a escuridão apareceu, o coração acelerou e doeu. A dor se refletiu por todo o corpo e depois uma dormência. Uma paz tomou-me, até a hora de abrir os olhos. Eu sabia que existia, só não sabia que era má o bastante para chegar aqui. 

Bem-vinda ao inferno.

Agora dói, mas é bom, bom o bastante para me fazer sofrer. Para quem não sentia nada, sentir dor já um bom começo, mas depois de um tempo enjoa. Enjoa sofrer, e depois de tanto tempo sofrendo você aprende a machucar, a ferir. Essa é a morte interior, e esse inferno é a nossa realidade. Sem divisão de bens, a guerra entre o céu e o inferno acontece no meio termo, acontece aqui. A felicidade é momentânea, e a dor só passa depois da morte. Ou não. 

Emily Cohen

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Lua que eu escolhi

Quando sai de casa pela noite, não havia reparado em tamanha majestosidade, mas ao olhar pro céu a vi tão linda e hipnotizante. Era como se ela me guiasse, como se contasse meus passos, estávamos ligados, eu á lua e a lua á mim. Eramos como um, não consegui andar sem olha-la, não conseguia me concentrar em nada além dela. E é como se ela me rogasse toda a sua honra, como se me quisesse por perto e então me sentia amada pela Lua, me sentia importante. Mas a distância entra nossos universos era grande, apesar de poder vê-la, não a tinha. Era sem sentido lutar por ela, ou voar. Mas quando ela não vem, parece que alguém me detém, algo me falta, algo me perturba.Mas nessa noite ela me veio, linda, incrível. E esteve perto o tempo todo, quando precisava olha-la, ela estava lá, quando precisei chorar ela estava lá. E então a noite se foi e o amanhecer levou embora minha melhor estrela, minha Lua, minha princesa. E então o dia não faz sentido quando não tenho, não encontro sentido sem a Lua. E durante muitas noites a Lua foi minha única luz, foi a iluminação dos meus passos, a luz do meu caminho e me sentia grata por tê-la, por ela estar lá. Grata por ser Lua, por ser minha Lua.

Emily Cohen

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Faz de conta?

Então faz de conta que tudo está normal, faz de conta que eu não fui embora, faz de conta que o medo passou. Faz de conta que eu me dei conta que teu amor me importa, faz de conta que eu te quero. Faz de conta que o amor é sincero. Faz de conta que o mundo mudou, faz de conta que a gente mudou. Faz de conta que a gente tentou mudar, faz de conta que a gente esperou passar. Faz de conta que passou, faz de conta que tudo mudou, faz de conta que eu te amei. Faz de conta que você me amou. Faz de conta que eu não choro mais, faz de conta que a saudade não me faz mal, faz de conta que seu amor é bom pra mim. Faz de conta que você não me largou, faz de conta que você é meu. Faz de conta que me quer, faz de conta que não me deixou.
Então faz de conta que o mundo faz silêncio pela nossa morte, faz de conta que eu morri por você, faz de conta que você morreu por mim. Faz de conta que vivemos felizes, faz de conta que tudo não passou da conta. Faz de conta que você sente saudade, faz de conta que me quer. Faz de conta que me amou. Faz de conta que sente minha falta, faz de conta que morreu lutando pelo meu amor, faz de conta que ama. Mas, faça de conta que todo esse "faz de conta" não foi invenção, faça com que seja o meu faz de conta de verdade ou de mentira, você escolhe. Só faz de conta que tudo o que eu conto pode modificar e tudo o que eu quero pode mudar. Faz de conta que eu não quero mais, faz de conta que eu não sofro mais, faz de conta que eu me esqueci do seu cheiro, faz de conta que eu me esqueci do seu jeito. Faz de conta que você me perdeu.

Emily Cohen 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um outro conto de uma mesma saudade.

É até engraçado o jeito que eu levo toda essa dor de sentimento, toda essa explosão de saudade, todo esse medo de futuro. Esse negócio de sentir e ao mesmo tempo não sentir. É estranho.

E olha que engraçado, encontrei o rastro de você em minha mente, um rastro bem mais amplo do que eu me lembrava que existia. E bate aquela saudade de tanto tempo escondida, que há tanto tempo eu me negava a sentir, mas que por esse segundo de ter encontrado em minha mente me fez perceber que eu só fugia do meu fantasma, e fugir dele me assombrava ainda mais. Era como uma máscara sem rosto por baixo. Era como se tudo o que eu tivesse vivido desde a sua partida fosse apenas uma monotonia, fosse apenas umas estrada preta e branca, sem cores. Mas eu só afugentava minhas dores, fugia de mim mesma, não queria enfrentar tudo o que me propus a esquecer. Não queria chorar. E com um simples segundo vagando em minha mente, me veio você. E então, todas as minhas lágrimas, que haviam estado há tempo escondidas, escorreram sobre meu rosto e tocaram o chão. E eu continuei desorientada por horas, por me lembrar que eu não havia te esquecido, que você vivia quente em minha mente. E olhei em tudo o que me tornei e mais uma vez minhas lágrimas escorreram, e o som do meu choro ecou sob meus prantos. Não tive mais força pra enxugar as lágrimas pelas a quais haviam a promessa de que nunca seriam derramadas. E eu fiquei estagnada ao chão. Não tive reação alguma. Apenas estive ao chão, a saudade me enfraquecia as juntas, me amolecia as pernas e não me deixara levantar, e naquela cena de saudade, vi a cor azul dos teus olhos, e depois disso vi o cinza do céu nublado. Tudo o que me dissera quando foi embora era : você merece ser feliz. Mas como seria feliz, se o que me trazia felicidade era o teu sorriso? Não procurei mais seus olhos azuis de angústia, e então continuei no chão. Foi aquele segundo em que vi o teu caminho em minha mente, que me dei conta de que fugir de meus fantasmas era apenas uma maneira de ficar longe de você. E quando eu os enfrentava era apenas a maneira de me lembrar que um dia estive em seus braços, e que um dia seus olhos azuis tinham um brilho especial ao sorrir pra mim. E então, sentia saudades de um fantasma. E continuei presa ao meu caminho preto e branco. Mas sentia saudade de meu fantasma, do fantasma que eu não tinha medo até ir embora.

Emily Cohen

domingo, 22 de janeiro de 2012

Primeiro beijo


Era cedo demais, os temores continuavam a erradicar todo o ser. Estavam mais apreçados do que o normal, pra eles o sol daquele dia era mais especial. Ela se arrumava toda e ia de encontro a ele. Ele se perfumava e ia de encontro a ela. Os dois meio bobos, cochichavam ao invés de conversar, eram imaturos, crianças naquela situação, nunca haviam passado por isso. Era novo. Era de dar medo, mas mesmo assim era bom. E quando o silêncio não se calava, com um longo, desengonçado e delicioso primeiro beijo cessava o silêncio. Não havia se planejado nada, mas se sabia que aconteceria. Era engraçado. E se calava o silêncio com beijos. Até que um dia se perdeu a graça, não havia mais medo, não houvia mais graça, não havia mais amor. E com isso cada um seguia seu caminho até achar um novo primeiro beijo, um novo primeiro momento, um novo primeiro silêncio. Isso continuava. Até que eles se encontraram de novo. E depois disso não se perdeu mais a graça, o silêncio era calado aos beijos dos mesmo bobos da história, a graça era buscada pelo conforto do braço do outro. E não se teve mais silêncios sem sons.

Emily Cohen

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Jogado ao mar

E é com arrepios no corpo que passo de um estado lúcido para um estado devaneado. É com o som dos violinos e do piano que me ponho a escrever minha ultima sintonia com meu ser. É com dores que levei pela minha vida inteira que coloco neste papel tudo o que eu sinto, toda essa confusão e essa falta de coesão em todo o meu ser. É com minhas lágrimas derramadas que me deixo elevar a um estado maior. É com dor alarmante em meu peito que eu passo a escrever todo esse momento de devaneios misturados, toda essa fuga da realidade. É com esse meio peculiar de comunicação que me livro dos fantasmas que tanto me assombraram nas noites escuras nos domingos. É com o som da chuva que me ponho a escrever toda essa ternura e toda essa tortura que minha cabeça faz meu coração esmagar-se por si só, por se sentir culpado de me causar tantos danos. É com incrível leveza que me deixo revigorar meus pensamentos em tantos prantos e em tantos soluços de sorrisos mestiços. E com enorme culpa que me despeço do passado , mas com enorme gratidão pelo grande aprendizado que nos rendeu. E com enorme desespero me desprendo do futuro, no qual eu não sinto a minima vontade de vê-lo ou desvendá-lo, porque sei que a surpresa da chegada é melhor não ser anunciada. E é com meu devaneios noturnos que me fecho para a realidade e me prenso em meus pensamentos. Respiro fundo, fecho meus olhos e meus ouvidos para o mundo, olho e ouço apenas o mar que se move em meu interior. O mar que com tantas ressacas ainda se vê majestoso e se bate forte contra as pedras em seu caminho, e que se vê o perigo a cada tempestade, mas não deixa desvendá-lo em nenhum momento. Olho para meu completo interior e me sinto novamente novo. Como se os papéis rasgados não fizessem diferença, como se minhas fotos molhadas pelas enchentes de emoção não fizessem mais nenhum sentido. E é com os mesmos arrepios que me despeço do mundo em que vivo e passo a torna-me paz em mim mesmo. E é com os mesmos arrepios que me despeço do mundo em que vivo e passo a ser sonhador que voa alto, sem medo da distância do chão e sem o medo de cair.


Carta de um louco antes de se jogar ao mar, escrita a punho da mais bela sereia do mar.

Emily Cohen

Qual é a moral?

E não tem moral da história, no fim sempre acaba. Não tem sentido de fim, não tem moral, não começo e nem meio, não tem nexo, coesão, concordância, coerência ou segue uma ordem cronológica. A chuva lá fora cai conforme o pulso das minhas lágrimas jorram, o vento bate forte na janela conforme as batidas enlouquecidas do meu poema. E meu coração golpeia com força dentro do peito, quase que estourando os outros órgãos, quase que querendo sair. Assim como, minha cabeça dói. Assim como, meus pensamentos se embaralham. E não tem sentimentos fortes, é só tesão pelo medo de não querer. É só proteção pelo medo de não ter. É só restrição pelo medo de não amar. Não me leve a mal, mas esse negócio de se prender já passou. O dever de querer já ficou no passado, o amor que carregava no peito morreu. Hoje o que tenho é apenas cicatrizes. Cicatrizes de uma vida de rei, mas sem verdade. O que carrego hoje no peito é só mágoas e gelo. O coração hoje não palpita mais a ponto de estourar-me, as lágrimas não jorram com o pulso da chuva, e meu poema não enlouquece pelas batidas de ventos na janela. 'Eu sou poeta e não aprendi a amar'.

Emily Cohen

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Meio sem jeito

Me perguntaram se eu conhecia você. Eu parei, pensei, lembrei. Vieram tantas lembranças boas, tantos sorrisos bobos e tantos arrepios no corpo. Me veio o teu sorriso de canto, o teu olhar de espanto. Me veio você nas lembranças, nos pensamentos. Mas estava tudo perdido, meio corroído. Meio sem nexo. Pensei bem, e me perguntaram de novo se eu conhecia você. Sorri meio sem jeito, meio no devaneio, olhei a lua, olhei o céu. Me perguntaram novamente se eu conhecia você e então eu respondi: "Antes eu costumava conhecer, hoje eu não conheço mais" . E meio sem jeito, olhava o mar e tentava desvendar por onde você se perdeu do meu caminho, por onde você se fez um desconhecido, por onde eu te esqueci.

Emily Cohen

Na muralha que eu construí

O relógio bate  nas mesmas horas, o mundo gira na mesma ordem. É tudo tão intenso, e ao mesmo tempo é tudo tão parado, tão monótono. Minhas unhas hoje estão arrumadas, não estão quebradas ou trincadas, estão bem feitas e pintadas. Minhas pernas estão depiladas e meu cabelo, nenhum fio fora do lugar. Hoje eu não sou mais aquela mesma garota, toda despreocupada, hoje eu tenho mais do que você imagina. E muito menos do que inventam. Hoje eu aprendi a ser eu. E não me importaria se estivesse comigo, seria feliz do mesmo jeito que sou. Hoje o tempo pulsa de um jeito diferente, o mundo gira em outra frequência e a música que toca no rádio não é mais a nossa música. O tempo mudou o meu jeito de agir, pensar. Me amadureceu, me fez grande e ao mesmo tempo pequena. Mas o tempo também pregou as suas peças em minha caminhada, levou as pessoas que eu amava, tirou do meu caminho pessoas que eu imaginava que ficariam sempre ao meu lado, tirou meus amores, levou com o vento meus sentimentos. Mas deixou vivo meu medo de que um dia, quem estaria indo embora era eu. Deixou vivo a insegurança de um novo começo. E com isso o tempo me empurrou pra frente, mas mesmo assim o tempo não apagou minhas memórias, não apagou os meus sorrisos. E a cada pedra que cruzava meu caminho, guardava, e hoje as pedras que já passei  fazem parte da minha muralha. E as tantas pedras que ainda não enfrentei, farão parte do meu castelo. E o tempo? O tempo passa, rola, vira, volta, vai e vem. O tempo voa como ninguém. E quando nos dermos conta já vai ter passado esse tempo que pensamos que tínhamos. Com o tempo, nossa vida também passa e em um piscar de olhos já estamos morando sozinhos, criando família e querendo encontrar os velhos amigos. E o tempo? O tempo passa, rola, vira, volta, vai e vem. O tempo voa como ninguém. E o tempo passa e um dia tudo acaba.

Emily Cohen