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sexta-feira, 24 de junho de 2011

O trapézio de cada manhã.


E faz horas que eu tento não tentar te esquecer. Faz anos que eu tento não te querer. Mas isso só faz com que eu sinta mais, aquilo que eu não quero sentir.

3h00 : olho no relógio digital da cabeceira da cama, olho para o lado vejo o nada, olho para o outro: UM SUSTO. Depois disso não vi mais nada. Tentei me esconder embaixo das cobertas, tentei sair da cama e ir pra cozinha , mas o medo me consumava. Eu não queria ver mais aquilo.
Depois de revirar várias vezes pela cama, pego em um sono leve, como se qualquer barulhinho, seja o vento batendo na janela ou simples passos distantes na rua, me incomodavam. Tentei mais uma vez. Consegui.

6h30 : o relógio desperta e me prega um susto daqueles, já está na hora do café, mas eu não quero sair da cama. O dia seria longo e cinzento, eu queria ficar em casa. Não queria encontrá-lo pelos corredores da empresa. Não queria ter medo de vê-lo, não queria senti-lo.
Peguei o telefone, disquei o número da empresa, dei uma desculpa esfarrapada, voltei a dormir. Então sonhei.

SONHO: não saberia dizer se era bem um sonho ou se era realidade. Não sabia explicar o acontecia, mas eu compreendia e até gostava. Era um quarto de um motel vagabundo, ele se despia e queria me deixar louca, mas eu só queria sair daquele lugar nojento. Foi então que eu dei um basta, empurrei ele pra longe de mim. Mas ele não se contentou , ele queria mais. Veio pra cima , então sem pensar eu peguei o abajur, que era a única arma mais próxima de mim, e dei com toda a força em sua cabeça. Ele ficou desmaiado, e foi o tempo de eu fugir. Semi-nua, coloquei meu vestido e corri, sei lá pra onde. Chamei um táxi e fui embora. Eu não tinha pra onde ir , eu não tinha casa. Foi ai que eu o reconheci. Aquele mesmo rosto com o qual eu trombava todo o santo dia na empresa. Aquele rosto com qual eu sonhara tanto ter perto de mim. Um breve silêncio ecoou e depois disso a escuridão surgiu.

TELEFONE TOCA: uma voz rouca falando do outro lado da linha. Eu não acreditei. Fiquei parada, sem demonstrar sensações. Tentei controlar cada músculo do meu corpo. E então , a voz rouca disse: -Você está bem? , tentei mentir, mas não foi convincente. Aquele mesmo rosto que eu sonhara, agora estava preocupado  comigo. Finalmente, levantei da cama, cambaleie um pouco, desviei de algumas garrafas de whisky, jogadas pelo chão. E respondi, finalmente, a verdade : - Não , eu não estou bem. Eu quero você aqui e agora.


Emily Cohen

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