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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Justamente pra ser livre

Eu, cá tentando escrever uma novela de época, me peguei olhando o céu. Céu este que estava cinza e com nuvens carregadas. E de repente me distraí com um pássaro voando livre e sem medo de cair. Olhei o horizonte e vi mais alguns pássaros voando ao longe. Imaginei que era um, fechei meus olhos e pus-me a sonhar. Voei livre entre as nuvens e as ondas do mar. Hora me acomodava no sereno algodão das nuvens, hora me balança no vai-e-vem do mar, outrora sentia o roçar das árvores em minhas penas. Mas sentia livre, sentimentos puros e livres. Batia asas e quando não, deixava as correntes de ar me planarem. Podia encostar no mar, no céu e na terra. Voar de um litoral ao outro, ou de um continente ao outro. Podia voar livre, vivenciar novos ares, conhecer novos povos, viver novas vidas, fazer velhos amigos, encontrar novos passados. Viver, sentir, voar livre. Mas abri os olhos, e ainda me sentia um pássaro, mas sem poder voar. Olhei pela janela com grades e me senti em uma gaiola. Eu cresci com a natureza de pedra. Olhei pro céu, as nuvens que agora descarregavam suas mágoas em gotas de chuva, gotas essas que por entre as grades da janela molharam meu papel. E troveja e relampeava também, dando a impressão que a vida passava rápida demais por nós.

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