domingo, 13 de maio de 2012

Esquecido

E eu estive lembrando, enquanto você me esquecia. Eu sobrevivia, até o dia que não quis mais estar sozinha, lutei, e morri por mim, e agora vivo. Vivo com força, com ardor, vivo por mim. E eu estive lembrando do mesmo modo que você me esqueceu, hoje sou eu que te esqueço, sou eu que não me lembro mais do seu rosto, sou eu que não me lembro do seu jeito. E deste mesmo modo que você me esqueceu, eu te esqueci. Eu aprendi a esquecer. Eu aprendi sozinha á viver e á morrer. Não me desfaço de lembranças boas, me desfaço das ruins, das dores e dos odores. Me desfaço do amor e da dor que um dia senti por ti. Esqueço, e assim me engrandeço de novas fontes de alegrias. O seu sorriso não é mais tão quente como costumar ser quando eu te amei, quando eu me lembrei. E por mais incrível que pareça, hoje fecho os olhos e não me lembro da dor, não me lembro de você, não me lembro de chorar, hoje quando fecho os olhos a única coisa que me vem é paz.

Emily Cohen

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O vento frio


E o vento frio bateu, e ardeu entre os dentes, ardeu no meio das articulações, ardeu no coração. Eu estava acostumada com o frio anterior, mas esse frio que veio com o vento doeu. Doeu fundo, ardeu. Eu tinha me acostumado com o meu frio, mas aí você apareceu e me mostrou o seu frio, e me congelou. Esfriou bem mais do que já havia esfriado. E junto com aquele vento gelado veio o medo, que eu já não sentia tanto, mas voltou, veio também a angústia e a saudade, que eu já não lembrava como era. Veio a vontade do seu abraço e do seu carinho. Veio a vontade do coração disparado e o frio na barriga. E a tortura do vento vem doída sem seu calor, vem doída sem a sua presença. E está martelando no coração.

Emily Cohen

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Assim como ontem

Agora, eu queria entender o que se passa dentro do meu ser. Meus pensamentos, meus medos, meus desejos e meus anseios. Então, eu quis saber o que acontecia aqui dentro, o por que de tantos pensamentos, o por que dos medos, e dos desejos. Eu não sabia exatamente o que queria. Queria você, queria a mim, queria a nós, queria um eu. Só queria estar junto e ao mesmo tempo longe. Queria estar junto e ao mesmo tempo separado. Era estranho, divertido, gostoso e maldoso. Queria você o tempo todo e não conseguia desvendar. Queria nós, mas não conseguia mentir a mim mesma. Até que saiu, saiu pelos olhos, saiu pelo tato, saiu pelo olfato, saiu por mim e saiu por você.
Eu sei que amanhã você nem se lembrará de mim, nem lembrará o que falou ou o que houve entre nós. Mas só eu sei o quanto eu me senti viva novamente. O que há muito tempo eu não sentia, era alegria, calor, muito medo, mas muita felicidade, passageira, mas mesmo assim felicidade.
Só me diz se amanhã não será tudo igual, se amanhã não vai voltar à sua rotina normal, ai seu desespero casual. Diz se amanhã você pensará em mim, assim como disse que pensava em mim. Assim como me iludiu. Será que foi ilusão? Ou será que foi só um sonho? Amanhã a hora que eu acordar tudo ficará como estava antes: tristeza, frieza, monotonia e desespero.

Emily Cohen

sábado, 21 de abril de 2012

O frio passa

Fazia frio e meu cobertor não me esquentava o suficiente, então liguei pra você, para pelo menos tentar ouvir sua voz...

Telefone chama, e logo ouço:

-Alô?!
-Oi! Sou eu...(breve silêncio)
-Sinto sua falta, você sumiu.
-Pois é, tive que sumir, mas você não se importou.
-(Silêncio)
-Não liguei pra falar do passado, e sim do presente, do meu presente!
-Diga!
- Não tô podendo com isso, tá doendo demais.
- O que tá doendo?
-Sua ausência, seu abraço, teu calor. Meu cobertor não me esquenta mais.
(Longo Silêncio, depois de um bom tempo sem falar, só ouvindo sua respiração, ele diz.)
-E o coração, como tá?
-Tá batendo, tá normal, mas dói ás vezes.
-O que sente?

-Sinto uma dor muito forte, umas pontadas que me fazem cair no chão, umas dores que me tiram lágrimas.
-Já foi no médico?
-Não preciso, essa dor não é física. Essa dor é a da ausência, e da minha falsidade. Das minhas máscaras desgastas pelo uso excessivo, principalmente das felizes, essas são as mais usadas, porque elas cobrem a minha dor. Mas nos olhos, não dá pra fingir, não dá pra fingir por dentro, não tem como inverter, sabe? É difícil... não se importar, você sabe bem, nunca se importa.
-(silêncio)
-Mas não precisa dizer nada, o que aconteceu é passado, eu vim falar só do presente, do meu presente. E meu presente dói, meu presente é falso, e machuca. Mas eu tenho que ser forte, fingir que não dói o coração, aliás fingir que não tenho um, porque assim parece mais fácil. Se você se leva pelos sentimentos, você morre. Morre por você mesmo. É mais fácil fingir então. Fingir estar bem...
-Mas meu coberto pode te aquecer. De novo.
-Não! Cansei de mostrar o que tem atrás das minhas mascaras. Porque as ultimas vezes, eu morri e continuei sobrevivendo. Só que dessa vez, eu morro, mas revivo. Vai passar, o frio é passageiro.

Telefone mudo.

Emily Cohen

sábado, 14 de abril de 2012

Fim de noite

Mais uma vez, eu cá com meus pensamentos, lamentando por mais uma noite perdida a te esperar. Eu esperei até o ultimo segundo o telefone tocar, imaginando se você estava pensando em mim. Se me queria também, queria entender esses momentos de quase lucidez que tenho, mas com você atormentando a mente, eu não enxergo. Eu sentei, vi a lua, vi as estrelas, olhei o céu, o imenso céu, mas sem sinal da tua presença. Esperei até o ultimo suspiro antes de adormecer, esperei escutar sua voz rouca de preocupação ao me ouvir, ou por sentir minha falta. Esperei você se importar. Mas não adiantou esperar, do que adiantaria esperar algo que nunca foi seu? Que nunca vai ser? Mesmo assim, pensei, lamentei, e mais uma vez voltei para casa com a decepção me seguindo. Havia algo de muito diferente em meu olhar, e ninguém percebeu. Havia algo diferente no meu jeito de expressar, e continuaram a não perceber. Desisti de esperar, na verdade, não desisti apenas adormeci na esperança de acordar com um telefonema ou uma mensagem sua. E você não ligou, não mandou mensagem, não deu sinal algum de que se importava ou pelo menos fingia.
E quando me dei conta já não existia mais o eu, era só uma esperança mau interpretada, uma saudade inacabada e uma vontade inabalável.

Emily Cohen

terça-feira, 10 de abril de 2012

Olhos de Ressaca

E com aqueles olhos de ressaca, ela conseguira me levar do céu ao inferno em menos de segundos. Hipnotizava meus sentidos, me deixava sem reação. Ao encontrar seus olhos nos meus, era quase que automático, não havia escapatória depois que olhava aqueles incríveis olhos cor de mel dela. E era quase sempre que isso acontecia, não tinha como fugir daqueles olhos amedrontados e cheios de curiosidade, grandes e perplexos. Havia algo neles que me tirava o sono, algo que me fizesse esquecer do mundo, algo me fizesse querer desvendá-los. Eles eram como uma grande luz, algo absurdamente lindos. E aqueles olhos de ressaca não saia da minha mente. Havia algo absurdamente vivaz nele e havia algo em mim que o atraía, pois era sempre que nos encontrávamos, mesma reação sempre: perca de sentidos (primeiro o tato,pernas moles,  segundo a fala, não conseguia pronunciar um 'a' se quer, terceiro a respiração, já não sabia mais como respirar, quarto a audição, não ouvia as coisas com clareza e por ultimo o olfato que só conseguira sentir apenas um cheiro, o cheiro dela), morria lentamente dentro dos olhos dela, e cada piscada era como se meu mundo escurecesse, era como se não houvesse nada e quando retornava a abri-los era como se uma força extremamente forte e alegre tomasse conta do meu ser. Não creio que ela se vá dar o luxo de me amar. Só relato aqui, aquilo que muitos homens assim como eu sentem, mas que não conseguem expressar. Relato aqui o que os efeitos dos olhos dela causam em mim, o que eles fazem ao meu ser, a minha existência. Relato aqui o que aqueles grandes olhos de ressaca tomam em mim, tomam tudo, tomam até minha alma, até o pedaço mais profundo do meu ser. Aqueles olhos grandes de ressaca, tornam-se meus, únicos e perfeitamente meus.

Emily Cohen