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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Qual será o caminho ?

Então eu, Fernando, me olhei entre dois caminhos. O bom e não tão intenso, e o ruim, mas peculiarmente desejado.  Mas qual será o real ? O verdadeiro ?

Bom e normal : aquele que eu terei um final feliz, sem muitas diferenças, seria monótono. Seria igual aos outros (coisa que eu não quero), uma esposa e um lar para cuidar, três filhos nota 10 na escola, sem problemas adicionais. Estabilidade financeira, almoço na casa da mãe de domingo comendo aquela macarronada. Sem muitos riscos, sem muitas atribuições. Apenas igual, talvez a melhor e a sonhada por todos, mas não a sonhada por mim, aliás sempre fui diferente de todos. A ovelha negra da família, o cara que sempre chegava tarde, que enchia a cara com os amigos e falava das bundas e peitos das mais variadas mulheres. Nunca teria sido o melhor homem do mundo, sempre fui o errado. E agora, se sigo este caminho, me torno igual aos outros. Me torno aquilo que antes abominava ser, me torno NORMAL. E qual a graça de ser normal?  Eu, particularmente não vejo nenhuma. Mas, e se eu seguir este caminho ? Com mulher e filhos, será que serei assim tão feliz? Será que meu final será sentado em uma varanda de mãos dadas com a minha "véia" e dizendo a ela: "Olha, querida, nós conseguimos isso, e juntos. Eu te amo minha "véia" ! " . Ela, então vai olhar pra mim com um sorriso murcho, e com as mãos tremulas encostará com muito esforço em meu rosto e ela dirá: "Juntos, assim pra sempre. Eu te amo meu "véio" ! ".  E vendo nossos netos, incansáveis correndo pelo quintal, observaremos o pôr-do-sol. E assim acabaremos deitados em nosso sono eterno, um ao lado do outro. Com um ar de alivio e de conformidade. Pedindo pra que lá em cima estejamos juntos de novo.

Ruim e peculiar: é esse onde passarei as melhores aventuras, onde me machucarei, aprontarei e provarei dos pecados da vida. Bebidas, mulheres, drogas, sexo, rock `n` roll, a minha rotina normal. O filho mal educado, o cara sem medo, sem se prender a nada. Até acabar com meu corpo, com meus sentimentos. Uma hora eu cansarei dessa vida, e ai conhecerei aquela mulher da qual me levará a um outro nível. Uma punk , que escuta Ramones e Sex Pistols, e que não tem medo de enfrentar as pessoas. Aquela que me levará a descobrir os sentidos de tudo, que mesmo se fazendo durona, ainda sim consegue ser serena igual á um anjo. E ai então casaremos. Teremos nossos três capetinhas, que puxaram mesmo pros pais, piores alunos da sala, música alta e banda de garagem, ao invés de estudar. A mulher linda cheia de pircing  vai estar em casa tomando uma cerveja e fazendo a janta, enquanto eu vou estar no meu estúdio de tatuagem , ao som da banda dos meus três filhos, nos quais a vocalista será a minha filha do meio, o guitarrista o mais novo e baterista o mais velho. Estaremos felizes. Sem ver o pôr-do-sol, mas felizes. E ficaremos velhinhos, com os cabelos pintados e com cortes moicanos. Não me importa o que falarem, ainda sim estaremos curtindo nossos shows punks, e pularemos juntos com os nossos filhos e netos (que seguiram a geração da familia). E então, eu e minha punk , morremos ali no meio de um bate cabeça, por tomarmos porrada demais, cairmos e sermos pisoteados. Morte divertida e ao lado dela, no nosso enterro tocará "Pet Sematary" do Ramones. E por fim chegaremos ao inferno com uma entrada triunfal ao som do AC/DC  com "Hells Bells". E seremos eternos.

Serei feliz a qualquer caminho, mesmo sendo um certo e um errado. Farei com que , independente qual seja o caminho, farei dele o certo pra mim, mesmo sendo errado para os outros. Serei fiel aos meus desejos e aos meus conceitos. Serei apenas eu , lutarei pelo que acho justo e certo (nem tanto certo) , mas lutarei para traçar o meu caminho e ser feliz, independente de estar sozinho ou não.

Emily Cohen

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