sábado, 28 de maio de 2011

Ela não é a mesma.

E ela saia com os amigos, se divertia. Bebia e fumava igual uma viciada. Ria alto, saia do salto, perdia a postura, perdia a calma. Se enrolava nas palavras, se enroscava pelos pés. Ela se matava em gargalhadas, colocava o mundo ao redor dela mais perfeito, fazia suas cenas de menina ciumenta e acabava conseguindo o que queria , com um sorriso de malandrinha.
Em meio a tantos atos, ela por fim termina o capitulo, jogada em cima de alguma calçada e sem amigos.
Resolve então mudar, resolve então crescer.
Ela não quer mais saber de beber, de fumar, de dar risada com os amigos, agora a única coisa que faz é trabalhar e estudar. Sair com suas amiguinhas falsas da faculdade, e nem sonha em voltar a andar descalça. A sociedade a transformou. E hoje ela se tornou fria, não ama, não é amada. Hoje ela não é mais a mesma.

                                   Emily Cohen

terça-feira, 24 de maio de 2011

Não existe.

E , então eu não acredito mais no amor. Acredito em fatos e de duas pessoas seguindo o mesmo caminho. O amor definitivamente não existe, é apenas coisas que nossas cabeças inventam, pra poder se machucar mais.
E é simples, quando você para de se importar, quando você para de sentir, tudo é mais fácil. Quando você para de se entregar. Não adianta, ele não existe. Não imagine que seu príncipe chegará montado em um cavalo branco e te salvará da dor, porque não irá acontecer. Não haverá um príncipe.
Eu não acredito mais em nada, apenas nas provas. E minhas provas chegam a conclusão de que pra mim não existe amor. Não existe. A melhor maneira de não se machucar , é fingir que não sente. Então , eu não sinto. Então , eu vou vivendo assim, sem ninguém, mudando e reiventando minha história.


Emily Cohen

domingo, 22 de maio de 2011

A alegria não é o começo.

Ela se tranca no banheiro e chora. Chora por ela e pela dor que sente. Pega o pequeno canivete e se machuca.
Entretanto, os cortes tem sido cada vez mais profundos, pra poder suprir a falta de felicidade dentro dela. E olhando seu rosto no espelho, a única coisa que ela vê é apenas um rosto com dor, com lágrimas, com a maquiagem borrada. E então ela termina de sangrar, limpa gota por gota do seu sangue, ergue a cabeça e arruma a maquiagem, o cabelo, coloca sua máscara de volta.
Tudo isso porque ela sempre foi a segunda opção e , realmente, ninguém dava a mínima pra aqueles cortes ou pra dor que ela sentia no seu peito, na sua alma. Ela cansou de ser descartada, mal entendida. Quando ela se corta, ela se esquece da dor real. Ela tenta ser forte a todo e cada amanhecer. Não tente entender o que ela passa, você não sabe. Ela sente o gosto estranho do que é a morte. E o mundo não parava por ela, ninguém parava por ela. O mundo onde a verdade é o avesso. E a alegria não é o começo.


Emily Cohen (baseado: Clarisse (Legião Urbana) )

sábado, 14 de maio de 2011

Tente me desvendar.

Ás vezes eu mesma não sei o que querer da vida. Certos momentos quero estar feliz, outros estar tristes, alguns quero me embebedar, outros só tomar um copo de coca-cola. Ás vezes te quero, outras te abomino.
Pensar que minha vida é uma caixinha de surpresas, me deixa surpresa. É até irônico dizer de mim, porque na verdade eu não sei falar de mim. Sou , em um isntante, alegre, feliz e animada, em outros sou triste, feminista demais. Uns momentos posso ser a menina mais doce do mundo e em outros sou a pior pessoa do mundo.
Levo ódio e amor no coração, paz e agonia, desespero e alegria. Posso ser um livro aberto , ou apenas um livro encostado no fundo da prateleira. Não sou a melhor pessoa do mundo, mas também não chego nem perto de ser a boa menina. Ás vezes posso ser muito ruim, para todos aqueles que me fazem mal.
Não quero ser fácil de desvendar, quero que você tenha vontade de me descobrir.

                                    Emily Cohen

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Guerra

Eu queria que tudo fosse diferente, eu queria não ter te conhecido. Eu quero não chorar. Segurar cada lágrima por ti. Eu não sei se consigo passar por isso sozinha mais uma vez.
Eu queria você comigo. Eu queria poder tornar meu sonho realidade. Meu conto de Fadas com um final feliz.
Eu não preciso de uma guerra agora. Os soldados mortos na minha guerra já foram muitos. O sangue escorrido já foi esculpido em nome daquele que sempre esteve longe. Eu não preciso disso de novo. Não mais.

                                       Emily Cohen

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pelo simples fato.

E sangrar hoje já não faz tanta diferença. Já não dói tanto quanto antes. Já não me faz sentir dor.Porque a dor do meu peito é maior do que qualquer ferida. Sangrar já não dói tanto quanto dói meu coração.  E pelo simples fato dele continuar batendo , dói. E pelo simples fato de você ainda estar nele, dói. Pelo simples fato de não conseguir reconstituir ele , dói. Dói pelo fato de não ser mais a mesma e por você ser o culpado de tudo. Ser culpado por me fazer te querer, por me fazer te amar a cada dia mais. Mesmo me fazendo chorar a cada dia mais. Isso me faz te querer. Me faz te sentir. Me faz te desejar com o meu coração. E pelo simples fato de não conseguir te tirar daqui, dói.


Emily Cohen